Fazendo Palavras


Como palavra virgem, nascida de um lugar sem explicação, criada de um sentimento sem aparência e de impossível percepção. Como se faz difícil de aparecer, de controlar e conter de querer e não poder. Desejoso como nenhuma outra palavra, quer não só o corpo, mas a alma, não quer só um beijo, quer que todos os outros sejam esquecidos. Egoísta por natureza e naturalmente protetor, tem na palavra a beleza e a dor. Em todos nós temos um pedaço, que junto com outro faz o começo, o meio e o fim. É e faz vida, parte de uma família ou uma grande estória nunca esquecida. Começa guerras e gera glórias, faz crianças dormirem e acordar o mais profundo sonhar. Tanto usada, nunca entendida nem mal interpretada, pode sair às vezes falsa, querendo criar ilusões. Mesmo sendo difícil, parecendo até impossível, acontece sem perceber. Uma verdade que estava escondida ou que não queria se ver, uma razão para que nada mais seja razão de nada, mas um mais do que qualquer outro querer. A junção de todas as emoções, canções e sonhos, poesias e tentações. Esse sentimento que mora na alma, dividida até encontrar a outra parte que lhe faltava, faz do abstrato uma verdade quase palpável, faz sentido, faz palavra.

Chances


Passaram-se anos, como se o tempo fosse irrelevante e a vida, um instante. Não temos apenas um momento na vida, mas vários e constantes. Escravos das chances que temos e perdemos, aproveitamos ou negamos, encontramos ou perdemos. Os olhos não enxergam a necessidade da alma, a razão para o coração querer pular fora do corpo e correr para um abraço, o próprio existir da pessoa já faz com que o necessário apareça e se faça presente como se sempre estivesse lá. O verdadeiro sentimento não esta apenas nos detalhes, mas nos grandes gestos que movem montanhas e são feitos sem o menor esforço, vergonha ou preconceito. Não encontramos a pureza do sentir apenas no desejo, no beijo ou no prazer, esta no crescer e aprender, no passar e tocar acidentalmente com o proposito de sentir aquele calor necessário e a segurança de que estará sempre presente. Passa o ano, novo ano chega, aprender com o tempo faz parte de toda natureza, mais um dia que passa, para que nova noite apareça e simples assim o ano acaba, dando a luz a outro ano que chega. Feliz 2012!

Singularidade do Querer


O gosto perpetua-se na língua desejosa, não deixa pausa para o pensar racionalizar, não tem tempo, só ânsia. Despeja toda carência num olhar e pede carinhosamente a entrega de todas as formas de sentir outro alguém. É a doce solidão, que tortura com o sal da saudade e mata de sede a vontade de devorar e ser devorado. Aqui ao lado faz aparentar ser tão distante, mostra tantos motivos para se afastar e tantas razões para se ter ao lado, nada muda esse querer constante. Em silêncio, o que se quer fala mais alto e o canto do quarto se faz apertado, comprimido, afogado no vazio. Nas dúvidas e palavras, feito frase é como navalha, cria fantasias e ilusões do que não se pode mais voltar atrás. Mesmo assim quer reinventar o beijo, inovar o desejo e revolucionar o prazer, quer o que mais nenhum pode ter, tornar sagrado o carnal e o natural em singularidade. O querer se faz presente quando a ausência supera a busca pela felicidade, o momento se congela pela necessidade e o coração tem vontade própria. Se encontrar o que se quer fosse fácil, seria duvidoso, se fosse lento, seria chato e se fosse rápido demais, seria apenas lembrança de algo a algum tempo atrás.

Até Você Entrar No Quarto


O Olhar vagaroso repousa sobre a porta entreaberta do quarto, vazio pela falta que faz a presença esperada. Mesmo repousada, a cabeça inquieta não para e imagina todas as possibilidades da entrega. Deseja o desejo e espera o inesperado para que tudo faça parte da realidade. Quer sentir o sonho em que se perde toda vez que cai no sono. Ajeita o corpo na cama, procurando a melhor forma de esperar, morde o travesseiro em antecipação, se levanta querendo beijar, mas fala pra si mesmo para se acalmar. Pergunta os motivos para tanta antecipação sem saber que o irracional não tem palavras para explicar essa fome. A respiração pesa, o tempo pesa, a noite pesa e não sabe mais como pode aguentar. Não existe outro pensamento, nada aconteceu na vida até esse momento, não lembra de ninguém, muito menos da solidão constante. O racional largou do volante e agora só existe o querer, o animal de dentro que tomou conta e quer uivar, correr, pular e atacar, morder e lamber, provar e se libertar. A pele começa a formigar, quer sentir o calor do embaraço, do suor provocado e de tudo aquilo que pode ser tocado. É assim até você entrar no quarto. Nesse momento sagrado, mesmo com todo o desejo ainda aflorado, não tenho como olhar para os lados. O mundo se perde aos seus pés e evapora nos seus olhos.

Novo Céu Passageiro

Acorda com uma chance de viver, uma oportunidade de respirar e seguir com um passo atrás do outro. Passa nuvem na distância, sem saudações ou demoras, olhando de cima para baixo toda essa história, sem saber exatamente como contar. Nesses segundos que passam, as mudanças abraçam cada respirar, muitas vezes carinhosa como uma brisa do mar, noutras não consegue puxar o ar. O passageiro que desperta não nota fragilidade nem deve, não foi feito para se preocupar, viver não significa se preparar para quando o fim chegar. A vida é mais do que um simples respirar, não menos do que um beijo ou um afetuoso olhar e vai além do desejo de provar. Saber viver é querer, negar e aceitar, entregar e tomar, sorrir e chorar. Caminhar sem pensar no tropeço, gastar sem se preocupar com o preço, caminhar no seco esperando a chuva, olhar nos olhos enquanto sente prazer. Variadas são as versões de viver, mas não são ações que definem, nem um novo céu passageiro, o que define cada momento é a casualidade da existência, a fragilidade da perseverança e o abrir dos olhos ao acordar.

Alegoria


Ao fundo, uma imagem surge e a princípio aparenta ser inexpressiva e desvalorizada pelo olhar desatento e apressado. O tempo faz o que de melhor sabe e passa, sem notar, a imagem é levada e novamente não se tem nada. Nova imagem toma seu lugar e novamente ao olhar, não aparenta valor algum nem apresenta motivo para permanecer. É menos importante do que a vida que tem de viver, o momento não é certo, são tantos os problemas para se resolver. Novamente passa o tempo e recolhe da vista o que não deixou ser completamente apreciado. É quando uma pequena gota cai no vazio, dançando sobre a imensidão e existindo. Seduz primeiro com a simplicidade e se transforma num segundo em pluralidade. Toma conta da visão, da própria existência e se não tratada com cuidado, um momento e tudo pode ser apagado. Não existe tempo, a vida num momento fora das restrições de números e luz no Sol decidiu que era hora de parar e apreciar. Essa pintura, que um dia passou por outros olhares, ali resolveu ficar, onde o seu viver tem valor e é livre para se expressar.

Espelho dos Meus Sonhos

Deixa aqui a lembrança do teu beijo plantada no espelho, relembrando muito mais do que desejo, fixando esperança num reflexo. Cada palavra dita amortece o lado direito da cama, mas não apresenta a verdade da pele e torna fria essas noites caladas. Remodulou a vida e criou uma ausência, uma saudade, a mais intensa vontade, a mais solitária das lágrimas. Levou consigo o sorriso que me falta e agora espera minha chegada. Contemplo então no passar dos dias dois diferentes termos, esperar e esperança, um se faz de tempo enquanto o outro se apresenta quando acreditamos em sonhos. Serrarei os olhos então, acreditando numa realidade de vontades, esperando esse tempo inexistente deixar de ser inconsistente com o destino. Quanto mais me lembro, menos subestimo o poder que tem um sorriso ao acordar, um beijo no amanhecer e um sincero olhar. Caminho então essa estrada recheada de "adeus", aguardando a saída que irei tomar e ali ficar. Um lugar onde a sombra da realidade não possa chegar, mas que o real exista espelhado no sonhar.

Saudosa Saudade


O céu não se decide numa meia noite tão triste. Não sabe se chora, demora, nem sabe se fica ou vai embora. Observa então um sonho cristalizado, de encher as mãos de rosto e cabelo, de sentir cheiro e o tocar. Anseio que faz de brinquedo a rasão, tão doloroso quanto uma pena, tão violento como um infante, envolve os dias como amante e faz pensamento dançar. Lacrimoso, se esparrama em gozo por entre calhas e telhas, decidido em banhar sentimentos que escapam e retornam sem aviso qualquer, apenas desejosos do sentir. Relembra beijo, momento sem jeito, a chuva que caia, a mão que subia, o calor que sentia e a vontade que tinha. Passado e sua ladainha, sempre esquece de esquecer aquilo tudo que possuía. Falta faz a solidão, pois faz espera se tornar paixão e num instante vira romance. Demora incessante do amanhecer, ainda que venha encharcado da noite, que se derrame com azul e dourado por sobre a penumbra. Cores brotam por entre condenadas sombras como segredos discretos vindo atona. Ergue-se a manhã de sol e nuvens e faz jocosamente da alma um joguete novamente, gira o saudoso a um outro lembrar, para que sinta falta de um novo luar.

Além do Horizonte, Um Sonho


Lanço um olhar perdido para um horizonte distante, sem compreender o verdadeiro significado do que esta perto e longe. Desejo alcançar seus braços, fixar meu olhar e te levar para onde possa te deitar. Quero sentir a sua voz enquanto fala próximo ao meu corpo, debruçada por sobre a cama e pele. Esse querer libidinoso transparece a cada evocação do seu nome, momento de fome, vontade que consome. Chama maldita, bem querida e destrutiva, deixa que me derreta, que seja esse o fim de minhas palavras. Silêncio até que seja encontrado momento equilibrado entre vontade de ser e desejo de ter. Perder a vontade para em segundos té-la novamente, entregando cada momento indiferente para os tempos que passados. Façamos parte das chamas do Sol, incendiando o espaço. Deixe que nos leve o momento para qualquer lugar, onde o único brilho vem dos corpos, desnudos e entrelaçados, indefinivelmente dois. Meu olhar vagante, que sonha errante com o horizonte a se aproximar, segue distante o caminho solitário entre o céu e o mar.

Último Uivo da Noite

Num passo desatento, sem ordem nem pensamento, passa o tempo passado, pairando ao lado e partindo para qualquer ponto além. Segue solitário até não estar, sem saber exatamente a razão desse destino selado. Eis que se ergue como exemplo esquecido um esforço extraordinário do que se achava extinto. Um último uivo, urrando e usurpando o luar, iluminando breu e unindo o que é seu com o seu eu. Fazendo esforço, faz do desgosto lar e mesmo lá se força a sonhar, falando com todas as fases desse luar, sentindo falta do que se faz faltar. Lenda da noite, soturna e indiferente, assim como gente que se faz persistente num exemplo de perdição em lugar inexistente. Preenche de ensinamentos impuros e indecentes, de exemplos da pele e de quereres ardosos, de saudade saudosa e saliva. Desejo, que se faz de beijo, finge ser apreço e num momento de arquejo se desfaz. Se acaba na cama, com uma vontade mundana de querer mais. Quer pele para queimar, corpo para deslizar, sabor para sentir e saudade para sonhar. Então retorna desatento, em palavras retidas e suspiros no canto do rosto, cantando um gosto, querendo um gozo.

Causador de Ondas


Nada se entende, pois não é necessário o completo entendimento e sim um reconhecimento do que é. Seres impossíveis, em constante movimento, evolução e criação, procurando nesse meio uma razão. Acha ter encontrado num livro, numa citação ou veio de um sonho, no meio da noite, num barzinho, uma canção. Imprevistos movimentos são esses dos causadores de ondas, que se acreditam sozinhos a jogar pedras numa lagoa, criando ideais de ação e reação. Conselheiros cegos, que se fazem certos sem levar em conta a maior das variáveis, o sentimento. É assim que se perde o ideal, o plano que era tão certo acaba se tornando irracional e então se pode observar a própria desconstrução. Despreparados para situações de delírio puro, êxtase em descontrole das ações. Passa-se a vida inteira observando a lagoa na espera das ondas ou da as costas e não olha para o que vai acontecer. Então é quando se apanha uma pedra do chão que entendemos quem é o mais sábio, por ser aquele que sabe sua  motivação, a verdadeira intenção. Medir quanta força deverá fazer, os ângulos a se pensar e as consequências de tudo isso que se pensou para que possa acontecer, mesmo  que seja possível planejar, não significa que vai acontecer. O importante é tentar, mesmo sem querer, causar ondas como o mar ou simplesmente esquecer. Só se entende a vida e a si mesmo vivendo, pois não se esta sozinho nessa lagoa, não é o único a mover as águas. O que faz o entendimento é a motivação de viver, a razão para continuar e tentar, apenas parar quando não tiver mais pedras para jogar.

Impossibilidades


Posso sentir teu suspiro vindo de encontro ao meu ouvido, tornando impossível negar esse meu vício teu. Não sei o que faço com as mãos, que não encontram onde repousar enquanto esperam tua pele e o calor que ela sugere. Faz-me teu, pois inexiste mundo esse que possa acolher a possibilidade de perder o que já me fizestes ganhar. Perder-me nos lábios teus e cansar a boca, querer mais de mim para ter mais de ti. Essa distância me transporta aos desejos de minha alma e coração e quando perto de ti estiver, nada mais irei pensar, terei apenas a vontade de estar no momento, no lugar, desperto e entregue. Fiz-te um pedestal e te coloquei com orgulho no lugar de mais alto apreço e mesmo que possa te alcançar, alí ficará. Como é fácil se perder logo depois de entender tudo o que precisava ser compreendido. O mesmo se faz verdade em esquecer o que nunca deve ser deixado. Depois de tudo, não se pode silenciar o mundo, só se pode tentar fazer o possível para entender suas idas e vindas ou se entregar a essa loucura sideral que nos guia dia após dia. Sem tua presença, nada disso seria possível, pois num mar de impossibilidades, encontrei o que queria, para toda a vida.

Lindo e Assustador

Torna-se algo próximo de um louco, caminhando noites sem destino, chamando atenção das luzes no céu sem entender exatamente o que é fazer sentido. Isolado num mundo dividido em dois, nada passa pela mente que não seja esquecido imediatamente para dar lugar a tudo aquilo que é lindo e assustador. Valores mudam, pessoas não são mais as mesmas, o que era importante, deixa de ser necessário e passa a ser incerto. O que era constante, não é nada mais do que discreto desconforto, deixa um certo desgosto, uma vontade de despedida. O mundo se recheia de novas fantasias, de palavras por muito tempo não ditas e futuros, mesmo que incertos, previstos como as certezas de uma mentira, inventadas, mas degustadas a cada palavra proferida. Poetas de palavras desconhecidas, de idéias sem nexo e recheadas de irreal, mesmo sem gostar da lírica, torna-se rima e faz da dúvida uma melodia. Inconsequências da mudança e do destino no qual se encontra, não sabe exatamente o que fazer ou dizer, pois o querer grita tão alto que mais nada se escuta, tão grande que mais nada se vê. Tão lindo é a certeza do sentimento, tão assustador é seu alento, como loucos rodando uma noite vazia, sem saber o que é real e o que é fantasia.

Criador de Sonhos

Resistindo a um mundo cheio de fantasmas e fantasias, o criador de sonhos esquece o real e se faz parte da própria criação. Ao que aparenta, sua falta de experiência com o mundo que se segue faz com que esqueça das aparências e atenda apenas aos instintos mais básicos e prazerosos. Logo depois, se sente pesado pelos julgamentos externos daqueles que o rodeiam. Passa a acreditar que ser sonhador é imoral num mundo amoral como é a realidade e aqueles que se dizem reais. O que existe agora é um frio que rodeia o fiador de teias etéricas, congelando a delicada arte e quebrando no vento que passa. Nada mais tem a mesma graça, pois ao que tudo indica, para o real a fantasia já teve seu dia e agora pode ser esquecida. Nada mais se fala sobre a lua ou se canta com alegria. Não se sofre mais por estar longe ou porque a vida foi perdida. O pensamento se entrega a realidade vazia e faz do sonhador um pária, cheio de idéias sem lucro e sem valor. A criação não faz mais parte de quem criava e a canção silenciada, da lugar a outra sem palavra, sem rima ou emoção. A palavra esta perdida sem pai nem mãe, não sabe onde se colocar nem mais como encantar, cada vez mais se deixa levar para longe da imaginação, para longe do criador e a criação.

Nossa Ilha


Eterna seja a inconsequência e seus atos, pois se for contar os fatos, de certo seriam julgados errado e teria então a mim incerta certeza de ser. Deixe então que me atenha a memória plena de tudo que se sucedeu, pois para ter qualquer resposta, tem de se entender a história de tudo que aconteceu. Estava então no mar da vida, entregue a correnteza, náufrago do amor, quando jogado sou, com violência devo acrescentar, num litoral desconhecido, até então ignorado, pois ao céu observava, receoso de saber onde levava essa corrente marítima. Desprovido de energia, sem qualquer fantasia, caminho na terra até então vazia a procura de alimento qualquer. O sol que banha é o do meio dia e minha cabeça pede abrigo, então entro sozinho no meio de árvores a procura de um lugar. Caio entre um riacho de água doce e uma sombra fresca e antes que desacordado esteja, penso ter sonhado o mais doce olhar. Era sempre o naufrago, encontrava onde me segurar, mas nada era seguro e então voltava a me levar, sem saber do futuro nem onde poderia estar, fui levado até um porto seguro, onde encontrei tudo que poderia sonhar. Seja eterna a inconsequência e seus fatos, pois agora existe uma certeza.

Inventado

Imaginação pode recriar beijos passados e abraços aquecidos, apertados. É capaz de sentir os carinhos um dia tão desejados e que agora tem outros acariciados. Ao fechar os olhos, é possível não esquecer e nem deixar ser esquecido, mas apenas o que vale apena, deve ser sustentado. Inventa cores sem motivo e sonha amores inacabados, o que deveria ter se passado e como teriam sido os sorrisos que queria ter tido. Alegrias sem futuro que agora podem apenas passar por pensamento e nada mais. Foram chuvas inesperadas, que escondem futuras lágrimas e que agora afogam as magoas no passado. Esse mundo imaginado que leva consigo todas as possibilidades do que poderia e não foi, do que seria e não é e que agora se esconde dos fantasmas da própria criação. Abre os olhos, veja o que é saber imaginar, quando se tem a certeza de que sonhos não são feitos apenas de sonhar. É possível ter e não pensar, saber e não temer, apenas retirar o freio e ir pra frente. Sem medo do que pode acontecer é possível ver o que não era entendido, num tempo determinado e sem motivo. Nascem asas para voar sobre precipícios impossíveis, se cria guelras para atravessar oceanos distantes e brilha com a força de mil raios solares ao se perder nas possibilidades de encontrar o que até então, era apenas inventado pela imaginação.

Dançando a Luz da Lua


Nada importa, a chuva ou a demora, a vida ou seu fim. Para onde for, lá esta, mas não sozinho. No meio de tanto vazio é possível encontrar tudo o que precisa, a voz que falta, o beijo que gosta e a vontade que se perdia. Nasce o sorriso, sem saber seu sentido, saudando o novo sol. Não importa mais nada quando se chega onde precisava chegar. O que é preciso saber é que momentos perfeitos não são feitos, acontecem e passam, então deixa que o tempo imóvel leve para a lembrança o que às vezes aperta o coração. Para que seja felicidade mesmo, não apenas se vive dias memoráveis, mas se cria na mente o que seria a felicidade. Cada momento do dia sendo uma canção, o respirar é a razão para se sorrir, pois ao lado se pode encontrar um motivo. Para sempre é feito de hoje, amanhã e depois, quando o tempo se perde e a vida é contada no abrir os olhos para um sorriso que os espera. Não existem atrasos, somente o que não se pode largar, o que tem de deixar e mesmo com medo de partir, ter a certeza de que volta e continuará a voltar. O mundo se vira, o céu se abre, as estrelas se perdem na clareza da luz branca brilhando distante, então é possível saber com toda certeza, que todo dia se esta dançando a luz da lua.

Passagem


Aguardando a presença passageira do tempo, sento no banco de madeira e observo a ventania e seus movimentos empoeirados. Esperando qualquer alteração da minha permanência, viro observador, assim como tantos outros, da vida mutável e suas quase que imperceptivas alterações e repercussões. Um pequeno rasgo no vestido da moça que logo atrai a mão atenta de quem a faz companhia, escondendo a única falha que seus olhos foram capazes de perceber e sorrindo como se nada pudesse mais fazer. Passam pássaros pairando por entre pequenas passagens nas árvores, acrobatas do ar, rodopiando para no fim se agarrar nos galhos, fazendo inveja no bater das asas e todas as suas possibilidades. Pessoas acenam, saudades ficam e lágrimas encontram um berço no chão onde caem, assim se faz uma despedida, sem alegria, mesmo que feliz seja esse dia, não é doce a partida. Os últimos, esses momentos inigualáveis na certeza e até mesmo na vontade das ações, necessidade impera sobre a espera do retorno, apesar de tudo que se deixa para trás, sobra pouco. É chegado o momento, a passagem do tempo que agora carrega em seus braços novos ventos, serei agora novo em outro litoral, nascido novamente num mundo diferente onde sinto o destino chamar.

Desconstrução

Parecia ser importante, único e constante, invariável e necessário como o ar respirado e a água que satisfaz, mas não é mais. Vai sumindo assim como foi aparecendo, decrescendo, desfazendo e dispersando. Em silêncio, sem acordar ninguém, se retira sem esperança de retorno, deixando apenas uma marca, com desgosto de ser mais uma passagem de vida, uma palavra esquecida no fundo da mente. Não é mais nome e sim experiência de vida, como tempestade de verão, onde pensamos nunca mais ver o sol a brilhar em meio a escuridão, eis que o céu ilumina e novo espaço se cria para mais um novo dia. A cabeça se ergue, a vontade segue a vista e para frente se caminha, construindo nova fantasia, refazendo tudo aquilo que sumia, esquecendo da quem já esquecia. Aquilo que parecia impossível de acontecer não é notado, apenas deixado de lado, cada vez mais no canto, até que cai no chão e se quebra. Aparentava tão resistente, mas de nada precisou, apenas a falta que fez e o tempo que passou. Como era importante, valioso e sem igual, único no mundo esse sentimento tão banal. É guardado como história de vida, nostalgia de dias mais jovens, de quando tudo parecia ser mais do que era, maior do que precisava e era feito de eternidade, até se acabar.

Solidão Amarga, Vontade Doce...


Encolhe-se em dia de chuva, onde as gotas parecem desnudar cada pedaço de solidão guardado e escondido, para que ninguém saiba que ali esta. Quer sumir para não ser descoberto num canto de parede, remoendo palavras antigas e sonhos ilusórios. Sente a saudade pelos olhos, quando esses choram na hora de lembrar, queimando a cada passo dado e ignorando o que poderia ter sido. Procura abrigo para fugir dos olhares que reprovam a tristeza e desde então nasce a natureza do desconhecer e reencontrar. Lentamente se intensifica, cada mudança inesperada de uma vida, sobrando somente a sombra daquele ser, virando a noite sem perceber que o tempo de hoje não demora a escurecer. Cadências da vida, com melodias que vibram o peito e encolhem a alma amedrontada, prostrada na janela, vendo as nuvens encobrirem a lua. Esconde as estrelas e faz de perdido quem já busca respostas no céu pontilhado. Do dia em que prova do mel então, fitando o olhar inesperado, a alegria vinda e tendo a certeza de que a indecisa, demonstra mais do que o que fora anteriormente planejado, tem então a intenção de enganar e ser ludibriado. Abre os olhos querendo mais da doçura, que goteja por entre os lábios e traz pra perto a loucura, pois para cada falta que faz o beijo que não chega, novamente o amargo da solidão aumenta e quer novamente se adocicar.

Encruzilhada

Vagando pelos indecisos caminhos traçados nas luzes que brilham e nas ruas que falam, descalço pela dureza e natureza da noite, encontro solitário. Em retalhos, as horas passam enfileiradas penetrando feito agulhas numa esperança qualquer. Esquecidas estão as passagens que desafiam viagens escondidas no desapontamento. Entendo agora o que se encontra no vale das sombras, onde o fim que tanto evitamos conhecer, pode ser visto observando tudo e aguardando a todos. Não é nada novo, mas a novidade que esta sempre alinhada com o que não temos e não sabemos onde encontrar. Seres humanos, encontrados cruzando a longa passagem do tempo e da vida, aguardando que curem as suas feridas e nunca entendendo onde realmente procuram. Então num momento espontâneo, fecha os olhos e gira, bem no meio de uma dessas encruzilhadas. Sem saber exatamente de onde veio ou para onde vai, para e repara que não sabe realmente de nada e que o melhor a se fazer é simplesmente continuar a caminhar, podendo muito bem estar voltando para o mesmo lugar, mas tentando algo diferente para não saber onde chegar. Entregue esta a vida para os caminhos sem razão, fechados pela indecisão. Um dia na encruzilhada, feche os olhos e não abra, rode até onde não mais aguentar e de lá deverá partir, para qualquer lugar.

Sede


Sentir sede do sentimento sem freio, despejando dentro do desejo cada carinho acumulado em mim. Seria saudade solitária, demorada e denegrida ao canto da canção, se não fosse essa tão vontade desejosa de paixão. Varia cada cor da sinfonia, das letras formadas e da sua magia, acordadas enfim. Brilha como fogos de ano novo, celebrando vida nova dentro do que parecia chegar ao fim. Surge a esperança sem saber que era esperada, aguardada como salvadora de quaisquer das mágoas encontradas no frio da solidão. Adentra essa face envolvida em penumbra, desatenta e escondida pela visão e permissão de ser vista. De súbito, surge desimpedida, livre das lamúrias de um caminho tortuoso, envolvendo em cada passo, a dor do descaso. Possível então seria o improvável, mesmo porque o impossível não existe mais. Entre todas as fantasticas histórias, entra então uma mais, aquela que une até os pontos cardeais, ignorando a distância e sua ignorância. Deixa-se levar em um balão assoprado de palavras amorosas e suspiros pensados por encontros imaginados. Tão certo quanto a lua que cai para novo sol levantar, como o céu, tão namorador do mar, esta essa vontade de nunca mais estar em qualquer outro lugar.

Colisões

Parece chegar lentamente, esse movimento incessante de sentimento ardente e envolvente, devorando cada momento, inconseqüente e inconstante. O dia começa como todos os outros que passam e chegam se descriminar, mas sem que queira saber da razão, quase que distraido, encontramos um motivo para desejar. Seguimos sem mesmo entender a força que puxa tal vontade e cresce de tamanha forma. Muda a cor das fantasias, os motivos de alegria e a vontade de nunca parar de sorrir. Esperança na mais pura das formas, encontra com quem de mãos dadas, possa fugir do real e sonhar vidas diversas. Nesse ponto de colisão, entre o irreal e a razão, se encontram os pedaços do romance a muito esquecido e a vontade da entrega por muito tempo negada. Promessas ajoelhadas e perante aos céus juradas, de que valem as palavras sem que nelas seja encontrada a certeza e nada mais. Duvidas pairam a mente humana em cada decisão, sem a menor exclusão ou sentimento qualquer. Incertos por levar-mos vidas impossíveis de serem previstas e desejadas pela involuntária motivação da felicidade e suas diversas formas. Frutos das adversidades, procuramos rumar numa direção e encontrar nosso ponto de impacto.

Sorrisos Privados


Existe um lugar, além desse que se pode ver, escondido nos lábios do prazer, guardado entre a vontade e a razão que sentem saudades sem sabe para onde vão. Deixe aqui seus sorrisos privados, guardados e esperados, para que quando não estiverem presentes, possam ser imaginados. De olhos fechados, viajamos sem para chegar lugar algum, mesmo que não seja aonde deveriamos estar. É confuso entender porque se perde se pra frente caminha, para ficar no mesmo lugar, não no mesmo momento nem com o mesmo olhar, mas muitas vezes, com o mesmo sentimento. Esperar causa o mesmo efeito, pois é tudo ao redor que se move, não apenas os pés, mas nossas memórias e momentos. Simplesmente desaparecem se existe a vontade de assim ser ou pelo puro descaso com cuidado que se deveria ter. Momentâneas chamas de vida dançando como velas ao vento do tempo, se apagando a cada sopro até que sobre apenas o que tenha de sobrar. Fica no meu bolso para guardar, no meu cofre para proteger, vou dormir e no travesseiro, o coloco para sonhar, alimento e vejo crescer esse sorriso particular. Fica como na espera de sempre voltar, parte na incerteza do que quer sentir, mas sempre que possível retornar.

Sejam Então Ditas Palavras

Novas são essas palavras que lhes falam, pois sem motivos para existirem, se fazem presentes como o ar que lhes rodeia ou a tinta que lhes escreve. Nada mais motivado do que a alma sem razão para existir, sem motivo para saber ou sentido de sentir. Ela procura encantamento e razão a qualquer custa, mesmo que se perdendo na escuridão em busca de luz. Surge então a questão anterior, pois palavras, mesmo ditas, são surpresas mal ouvidas de encontros anteriores. Nada sei do que me guia, sei apenas da fantasia que um dia pode ser. Deseja-se então o querer a fantasia, onde não são apenas desenhos pois palavras não são nada até serem ditas. Proferidas como fantasmas da alegria ou vontade inesperada, a palavra muda sentidos e intenções. Diz-me então que queres dessa alma letrada, pois a mesma procura descanso, sem deitar ou destino certo. Tendo então que nada existe de certo, a significância da certeza tem então a incerteza presente na existência certa. Apesar da hora aparentar tal continuidade, tenho então a certeza, mesmo que pífia seja, que ainda presente se apresenta na palavra passada. Que então sejam ditas, trovadas e lácrimadas, revoltas e discutidas sem dúvidas ou respostas. Enebriadas as vontades, pois alí encontram o conforto, solta das amarras esse uivo preso pela madrugada demorada e liberta a voz. Logo após, que descansem então minhas letras, pois combinadas e sortidas, se fazem ditas e amadas. Sejam então acolhidas essas palavras descritas e queridas, mil vezes ditas e mesmo assim, inesperadas.

Sem Parada, Sem Destino...

Deveria perguntar a cegueira como se pode deixar de ver. Cada passo dado leva para o outro lado, e sempre existem mais lados para serem atravessados. Não existem razões para descansar, seguir em frente até não mais aguentar e mesmo assim, levantar e continuar. Nada para esse trem, sem parada ou destino, segue cheio de um vazio que tem hora marcada para lugar algum. Desgovernado e renegado pelo fato de achar que poderia ter a escolha de onde chegar. Não importam mais os trilhos ou desvios, o que faz a diferença é quem esta no controle. O beijo que agora sai da boca é de despedida, não existem mais passagens para se comprar. Partiu novamente de lugar algum para nunca chegar, rodeando um infinito de constantes inconsistências que a vida proporciona quando quer. Diante da fraqueza do ser, encontramos a razão de viver, diminuir, quase parar. O motivo do coração bater forte, querer sem sorte se acalmar é a mesma razão que é capaz de fazer o trem descarrilar. Basta o sorriso que combina com o beijo recebido, aguardando o caminho a ser aberto e o destino a ser seguido. Agora acompanhado, pergunto onde posso pisar e então vejo, mesmo cego a forma de enxergar. Não se pode depender de tudo, mas para muitos, sem sentimento puro, não existe motivo para parar.

Canto Frio


Vão-se os lábios esquecendo a saudade, essa que perdura sobre a mente e o canto mais frio da cama. O que resta são imagens congeladas que apesar de silenciosas, levam as mãos ao peito. O olhar fixado na porta, esperando o único minuto que importa, o retorno. Sem mais suportar, vai até a beira-mar, olhar o encontro do céu e mar e esperar no vazio que rodeia. Areia entre os dedos, vento salgado e nada mais do que o horizonte. Perdido distante, onde mensagens não alcançam por não precisarem chegar, está à deriva esperando vento forte ou onda favorável na direção do encontro aguardado. Entretanto, a demora é necessária, para mostrar a importância e entender que não existem dúvidas quando desapontar no canto de olho, seguindo a trilha para o porto. Existem apenas as certezas dos braços, enrolados e recheados de maresia e sol. Beijos ressecados, se banham nos lábios saudosos em sentimento aflorado pela falta de tempo e o tempo de falta. O mundo ao redor espera por isso, pelo reencontro desse desejo, do encontro desse destino com a felicidade. Fiados então estão os caminhos de duas linhas em paralelo, que hoje se entrelaçam mesmo que no adverso que venha a surgir. Esse é o caminho, sem "mas" nem menos, que segue ausente da motivação de fim.

Sombras


A luz não passa, não tem como existir naquele ponto, esta preenchido com o presente e constante pensamento revirado. Nem esperado estava o momento, e ele chega trazendo o vento que a muito não soprava. Nele estão sons de risadas, palavras ditas e segredos que sorriem. Existiu um dia ali algo diferente, como se fosse para sempre e nem um pouco mais durou. Nunca esquecido, mas penosamente lembrado, com tudo que um dia foi partindo e que agora o lugar foi ocupado. Somos parte do passado e tão constantemente esperados quanto presente. Quanto mais nos forçamos a olhar para frente, mais queremos olhar além de nossas costas e relembrar, mas o hoje não pode esperar. Sorrisos ainda rodeiam a vida, mas as sombras que deixam não são simplesmente escuridão, mas foram olhadas e vividas, dadas e recebidas, recheadas de momentos infinitos num segundo dividido de um passado sem sentido que sente cada suspiro. Onde só existe escuridão, deixamos visíveis as marcas deixadas pelo adeus sem razão de ser, ou o afastar sem motivos, ou bem motivados. Cercados de razões, seguimos adiante por saber que mesmo em frente, num dia não muito longe, novamente estaremos olhando as sombras desbotadas, recitando histórias já contadas e pensando em tudo que agora se tornou areia e mais nada.

Outro Eu

Não tivesse feito erros, fossem mais acertos meus, teria onde deitar a cabeça, descansada de pesar tanto em tentar se arrepender. Nada lembra mais tanta certeza, esquecida esta a natureza em desperdiçar cada escolha nas incertezas do desejar. Queria por querer mudar, sabia por saber sonhar e nada mais se deixou ser o mesmo. Mudando e modelando os dias que me foram entregues, esqueço as noites que me seguem por novamente ter o sol do amanhecer, disposto a correr o risco de riscar o céu azul. Desejaria ser outro eu que carregasse essas pequenas explosões, despedaçando essas fantasias ancoradas no nascer de todos os dias. Faria então nova linha a ser trilhada, diferente daquela arruinada por tantas escolhas diferentes de quando se tem ou pensa. Desfeito de meu eu, teria então novos cansaços, vividos e mal trilhados, mas não os mesmo que antes me atormentaram. Cometeria novos erros, ilegalidades imorais, tolices da juventude, perdidas sem razões e incontroladas pelas experiências da vida. Desperdiçada pela nova partida e a subseqüente jornada seguinte estão as motivações de um novo ser, que não sabe realmente escolher nem como não mais esperar. Decidir pela incerteza e pedir para voltar, caso erre, que venha outro em meu lugar.

Reflexos


Apenas o que é visto, a ilusão da certeza revê incerta se o que ali esta presente é realmente a verdade empírica. Observa movimentos repetidos como sempre foram e os segue, esperando uma mudança, uma nova verdade, algo que altere o fato. Mesmo que fosse mudado, a luz não deixa esconder, permitido tal feito, não é de direito permitir incerteza de si. Sendo assim não se vê o que não veio por acaso. Nesse meio recheado de fim, um final determinado não é nada do passado, mas indica ser aqui o seu destino. Refletindo entre sonhos e realidades, um meio termo honesto e direto posiciona a mente para o que de certo é a decisão final. Observa a imagem que observa, na espera incerta de algo novo, diferenças, sutilezas, escolhas e aceitações. Dominado finalmente pelas emoções somos parciais a imparcialidade dos sentimentos que transbordam de escolhas. O reflexo não mente e nele encontramos sem realmente procurar uma razão inexata. Buscar no nada o motivo, a direção, o sentido e a motivação. Leva de encontro ao espelho as questões inerentes da incerteza, na procura de mudanças impossíveis de se ver, mas constantes na alma. Não é possível enxergar ou negar, só se pode sentir e se entregar o que refletimos no olhar que nos reflete.

Onde Caem as Lágrimas

Se vão pedaços de alma, caídas a caminho da correnteza que leva mais saudade do que tristeza. Sem que veja, se fecha como o abrochar, esquece da felicidade e que ela um dia pode chegar. Certeza de nada tem os olhos, cheios de um mar intenso que transborda tanto sentimento e desaprende o que é retornar. Nada mais importa num sorriso que demora a chegar, pois só existe a salgada distância e a demora em conseguir alcançar. Entrega-se aos braços desse sentimento dourado que de tão belo, faz falta por sempre ser sincero, único e honesto, valioso como somente o maior tesouro poderia ser. Fugimos mesmo tendo tanto apreço, pois o desejo é muito maior do que o receio da vontade. Erramos, esquecemos e cedemos, deixamos que o tempo nos leve distante, sem saber ao certo onde. Assim chega o choro, encontrado no arrependimento, derramado aos pés do penitente. Paga-se com gotas ardentes cada passo dado, distante do passado, separado do que quer voltar. Os olhos mareados procuram então o significado de cada escolha, apesar de não entender inteiramente o motivo de trilhar. Enxuga-se a face molhada, aceita onde caem as lágrimas e o porque nunca mais devem voltar.

Sussurros Contra o Vento


As perguntas se acumulam diante dos dias que passam. Dúvidas correspondem as incertezas do próprio respirar. Temos de escolher entre o caminho que trilhamos e aquele que desconhecemos. Nada do que se sabe, realmente se aprende, apenas vemos e quando passa é esquecido de repente. Então não se sabe exatamente o que é saber, a vida guia as ações sem que o resultado seja direto e compreensivo. Entendimento vazio esse que não entrega respostas a tantos questionamentos. Caso nada seja feito, seremos eternos sussurros contra o vento, alimentando o ar com palavras inexpressivas. Meras fantasias as usadas no dia após dia, mutáveis sentimentos alteram intenções e o que achava ser verdade, nada mais é do que a passagem do tempo. Precisa-se de gritos, de ir até onde seja possível ser ouvido e não mais falar, mas soltar todo potencial da voz num chamar para o que se quer viver. Olhar nos olhos do desconhecido e saber que nada mais é do que o futuro natural, aquilo que buscamos, lutamos e queremos. Temos todos os motivos de mudar o que quisermos, sentir o que for possível ser sentido, banhar nosso tempo aqui em erros e saber reconhecer os acertos, mesmo que poucos sejam.

Menina da Montanha

Numa montanha, muito além do horizonte existia uma casa, nela havia uma menina, que perdeu o pai que tinha e a mãe que não durou. Sem ninguém em casa, triste ela sorria, sem saber direito o que era, ela amava. Todo dia caminhava pela manhã, toda noite ela nadava com as estrelas, tudo que conhecia era a solidão e tudo que comia para ela, tinha gosto de cereja. Aprendeu a pescar com o pai, com a mãe aprendeu perdão, com a vida aprendeu sozinha que tudo passa, mas lembrança fica. Sentada comendo uma maça, com gosto de cereja na boca, sentiu o vento soprar, levando do varal uma peça de roupa. Mesmo com toda pressa, a moça não conseguiu alcançar. Perdeu seu vestido azul, feito de fios de céu, pois da montanha nunca tinha saído e não sairia, nem por isso. Voltou a desenhar nuvens e conversar com as folhas da árvore, até que vento bateu novamente levando nova vaidade. Agora era seu vestido dourado, feito de raios de sol, não poderia ter sonhado em perder algo tão caro ao seu coração. E mesmo no desespero, novamente por inteiro, perdeu a corrida. Mesmo com aperto no coração, e lágrima no rosto, a menina novamente não descia. Foi até o varal e prendeu tudo que tinha, dali nada saia, pensou “nem o vento tira”. Apesar de segura, quando sentia ventania, corria para suas roupas, com medo de perder o que tinha. Eis então que noite veio e vento traiçoeiro via que a menina que sorria triste, agora na cama dormia. Aproximou-se do varal e soprou tudo que tinha, lençol estrelado, vestido de prata da lua, todo enxoval flutuava na noite nua. Quando acordada, viu que mais nada tinha, gritou com o vento e sua grosseria, enquanto isso o vento ria. Foi então que decidida, pegou o último vestido que tinha, feito de flores do campo e bordado de fantasia. Começou a descer a montanha, na trilha que quase não existia, a cada passo que dava, novo vestido ela via. Chegando no pé da montanha, viu seu vestido de fios de céu, adornando uma cabana ao pé da montanha. Um menino saiu com um sorriso, sem motivo nem juízo, olhou para a menina fantasiada de fantasias e da cabana tirou o vestido. Olhou com olhar ferido, desejoso e carinhoso o que nunca tinha visto. E o vento, então sorriu e então perguntou para o destino “Se era essa a sua intenção, por que então tudo isso? Não bastava deixar curioso ou deixar os dois de sobreaviso?”. O destino sem precisar, riu das palavras ditas e respondeu ao querido vento “Não seria destino sem escolha, não faria sentido, o amor esta no que vê e não no que é ouvido”. E assim seguiu destino, sem razão de assim ser, procurando sem motivos novos caminhos para tecer.

Sereia dos Sonhos

Entre tantos outros sons, o seu consegue ser o mais atroador, devastando minha audição e me fazendo perder o equilíbrio. Desejo mais do que isso e é esse querer que me desconcentra, perco as pernas que me sustentam só de lembrar. Sereia dos meus pensamentos, metade mulher, metade sonhos, completa de todo imaginar. Cânticos mudos, rimados de ventanias, sorrisos e perfumes, risos de alegria. Sibilando sobre o mar onírico do descanso tardio, deixa carícias que causam ondas e nelas me deixo levar entregue a correnteza. Solto as amarras e a deriva, flutuo em pensamentos irreais e vontades tentadoras. Não existem espaços não marcados por sons que de tão presentes, ecoam na mente, cantarolando noites não dormidas e promessas não cumpridas. Quando chego no final desse litoral utópico, encontro ali seu rosto, sorrindo como um paraíso crescente. Esqueço tudo ao meu redor e me concentro apenas no vermelho dos seus lábios e o chamado do seu olhar. Canções inaudíveis me atraem de encontro as rochas, desavisado dos perigos da costa, viro náufrago nessa ilha. Vivo então dos encantos, canções da mulher inatingível, pois sempre que me aproximo mais distante ela esta, mas dos meus sonhos nunca sairá.

Cumplicidade

Cada pensamento é cumplice das verdades, estejam elas escondidas ou aparentes nas palavras. Nossa inocência não conhece restrições, não tenta enteder motivos, apenas move adiante com ações irresponsáveis. Não existe uma perfeição de ações, atuações cronometradas ou visões futuras. Impossível parar as banalidades que, sem o menor esforço, conseguem encontrar caminhos inesperados e transformar completamente as banalidades do mundo em algo improvável. Somos unidos pela singularidade da vida e sua constância. Nossa existência não é apenas um fato decidido ou um acidente, somos parte da histótia, independente de sermos louvados num programa de televisão ou aparecendo em capas de jornal e revista. Cumplices da vida, do seu começo, meio e fim. Constantes, mesmo reconhecendo o destino final, a última luz é a única para a qual estamos caminhando. Sendo assim, temos nossos sentimentos, nosso senso comum de vida e esperança. Conseguimos criar novos mundos, novas vidas, somos capazes de desenvolver e recriar sonhos. Ao olhar para o futuro, espero que tenhamos a certeza de ver com olhares cheios de expectativas uma unificação diante do melhoramento universal e não mais a individualização da vida.

Olhos da Meia-noite

Lacrimejando diante das sombras que rodeiam o quarto, observando o tempo que se aproxima solitário. Olhar perdido no vazio ao lado a espera de um sonho ainda não completo. Em rostos passageiros, procuro uma forma futura, escondida na penumbra incerta de fios ainda não fiados. Traços desenhados fora do traçado, movimentando o viver um pouco para o lado inesperado. Então chega a meia-noite, toda magia tremula no ápice da lua, cada estrela brilha nua, mostrando o caminho para quem de longe não sabe onde chegar. Esse mar que nos rodeia, brilha sem certeza em resposta a cidade que lhe observa. Pensamento soprados ao vento, não ouve lamentos, somente passa ao lado. Não é consolo, apenas a presença da hora, determinando que no sentido do caminho, nada é apenas aquilo que parece ser. Já é o fim de mais uma meia-noite, o amanhã é hoje e um novo dia chega para novamente passar. Dias bons nunca ficam um pouco mais, nem um minuto, não esperam para serem apreciados até que partem dos braços dos abraços. Podem até ser sonhados, lembrados ou retratados, mas nunca os mesmos pois foram mudados. Que seja então esse o destino do coração a ser escolhido, e deixe novamente a hora passar, para que chegue o que é certo de chegar.

Impulso

Incita as vontades discretas o suficiente e excessivamente sob medida, saboreando palavras que se derramam pelo corpo como pingos de chuva. A constância dos pensamentos desejosos acrescenta ainda mais desejos e maiores desconsertos. Determinado a despir essas dificuldades presentes até que desapareçam nas suas insignificâncias e ao final, provar da entrega entre corpos quentes, escorregadios ao sentir o suor de beijos ofegantes e da respiração profunda e constante. Essa força que move sonhos e permite expectativas cegas a incerteza da relação, deixa a amostra o selvagem e natural. Incita lascivos pensamentos, guardados em segredo, distante de olhos famintos, até se deparar com a entrega. Desfaz o nó que prende, restringindo movimentos e limitando a liberdade, trazendo a cada instante um sentimento de saudade. Sede de estímulo, de onde tem origem as palavras perfumadas que transformam essa névoa em claridade constante. Deixa que seja e despeja esse querer que lateja entre suspiros prazerosos. Para encontrar a certeza é preciso provar do pensamento, mesmo que longe não esquecendo, mas constantemente querendo sentir. A completude se encontra na virtude da sinceridade, pois mesmo a luxuria é prova da verdade.

Desfazendo

Agora não importa mais a demora, o dia passou da hora e assim se foi sem tempo. Esperar, agora não tenho pressa, respirar fundo pois o que vier, que venha com vontade de ficar. Deixa que respire, que se vire para trás e traga paz. Essa entrega não dá mais para ser certa, será preciso respirar um pouco e acalmar. Tudo um dia acaba, mas o sentido do término é o recomeço, voltamos a origem inexplicável e desejamos nada mais do que permanecer intáctos as alterações que nos rodeiam. Essa improvável relação do coração com a vida não traz mais do que feridas e cicatrizes espalhadas numa sequência de depósitos de lágrimas. Mais um novo caminho traçado, inesperado, mas não surpreendente. Novas fotos do passado que passa novamente, como acaso de uma chuva que logo pelo sol é esquecida de repente. Venha então você minha luz, sem saber qual caminho tomar, não espero tanto nem tão pouco, mas quero. Entrelaçado entre os dedos que desfazem o presente que tanto pesa, encontro sorriso que encanta e que tanto quer essas incertezas. Tão cansado dessa dança de relacionamentos, um dia feliz, noutro sofrendo. Então espero o beijo, que se despede do outro, para saber que agora, começo tudo de novo.

Desenhando Estrelas


Minha janela é pequena demais para ver o mundo, então imagino o universo como um quadrado limitado, negando o escuro e procurando o rutilar de astros distantes. Essa noite me devora a alma, o que brilhava, hoje é sonho a espera do fechar dos olhos, acelerando o tempo para o próximo dia distante. Nada fiz de importante, ao menos ainda, nenhuma constante, variados sorrisos desprovidos de motivos. Agora, essa solidão que me consome, parece proibir palavras tão queridas ao ouvido, força lembranças de carinho e cria miragens de sombras rápidas. Nada responde esse meu querer nesse vazio ao lado, aguardando sua forma e seu abraço que me salva. Procurando debaixo da macieira, espero cativar, ser forte o suficiente para conseguir e nunca mais esquecer o que ao perder. Vejo-me então a desenhar estrelas, pequenos vagalumes que fazem seu rosto no meu céu noturno ficar mais próximo. Quando acordado, essa luz imaginada, mesmo com o entrometido dia, continuará viva dentro do sentimento esperado. De olhos fechados posso ver essa constelação, de sorrisos e beijos ainda não dados, que aguardam serem recebidos e vistos, correspondidos e contemplados, na espera do brilho que lhes falta.

Saliente


As mãos dão vida as más intenções desejosas dos olhos, estes que buscam no rosto oposto as limitações das investidas apaixonadas. A face que observa, não se nega, mas também não se entrega facilmente a cada vontade que parte. Idéias marotas, que criam vida nos olhares lascivos, lançados de baixo para cima, como se pedindo insistentemente o que ainda não fora permitido. O desconhecido fascina e toda tesura dispara de uma vez, numa só direção, deslumbrada pela beleza do sorriso e da liberdade na rendição. Os beijos ofegam por sobre os ombros e as se agarram as costas, num encaixar perfeito. Descuidos não atrasam em nada o encantamento da aproximação, a simplicidade momentânea desse incêndio que domina os arredores, derretendo os corpos, mesclando desespero e lábios, ansiedade e mordidas. Selvageria que surge em meio a dois, irracional e compatível, orquestrado pela vontade do toque, da intimidade impura e saborosa. Da boca, escorre desejo como veneno, inebriando os sentidos e turvando os limites. Rendidos pela intecionalidade da noite e sua coberta, desnudos e insanos, se deitam entre lençois e travesseiros, únicas testemunhas dos atos lascivos. Deleitam-se com a luxuria provocada pelo calor dos corpos e fazem de cúmplice a penumbra e sua inspiração.

Flor

A raiz dessa flor fincada,
Penetra e enrosca envolta,
Se alimenta da alma,
Do desejo, do corpo,
Do coração arredio,
Faz sair o vazio,
Faz Querer o desconhecido,
Ensinando carinho,
O beijo macio,
Molha feito rio,
Ao redor dos lábios,
Da carne que queima,
Soltando centelhas,
Fazendo a fogueira,
Incendiando o raciocínio,
Qualquer compreensão,
Indagação ou razão,
Das cinzas e brasas,
Surge a paixão.

Ausência


Sobra a lembrança acanhada num canto de noite, temendo os barulhos soturnos do desespero, da solidão. Esta lançada a penumbra da lástima, seguindo cada passado e lembrando das infortunas direções tomadas. Assimila cada pedaço do dia, deixando os pés frios e as mãos solitárias, fazendo o passar do tempo ser eternidade. Recordações acompanham os passos, seguem cada movimento dado, sonhos acordados ou sentimentos ilhados. Faz saudade parecer maior do que a vida e do alto, observa um ponto de existência, predestinado a não saber qual rumo seguir. Aos pés, humildemente requisita uma nova lembrança, escondida nesse caminhar, ainda por vir, indeterminado. Fazemos planos para que sejam falhos, essas escolhas impossíveis de resultar no esperado. A consciência se perde na espera, desfazendo cada camada que resta e escoendo o vazio do real. Nada restando, deixa o sono de lado e observa as sombras até que a noite, por puro cansaço, aninha ao seu lado e adormece. O que resta são os pedaços da ausência que não fazem sentido, que não explicam nem dão motivo, apenas existem para confundir ainda mais. Depois da tormenta, abre o céu e chega o dia, acordando manhã é possível ver finalmente o sorriso esperado e a carência a se dissipar.

Momentaneamente


Num instante, o que era inspirado pela pureza da simplicidade, se transforma em medo e insegurança. Por um instante, se perdeu o sorriso e em alguns minutos, nada parecia ter valor. Dormir seria impossível e querer era incontrolável. O alcance das mãos não chegam a tocar mais a pele que tanto deseja, o som não da voz que acalma, distante se encontra do ouvido aflito. Perdi o som e outros sentidos. Não vejo a esperança sem a luz que me guia tão fervorosa, mas doce e necessária. Quero a luz vermelha, exigente de calor e aquecedora da vida que permanece, como se salvasse a minha do total descontrole e perdição. Preciso da canção que parte da alma, faz nascer mudanças e decisões que diferem das mesmas canções que ouço, comendas das sereias da madrugada. Sem a certeza dos braços seguros em meu corpo, o frio me consumiria como gélido fogo. Deste ponto em diante, serei merecedor de carinhos e anseios. Repousa aqui, não deixa razão ter tanta precisão das decisões e domínio tamanho desse caminho que lhe fora prostrado tão precareamente dentre seus planos. Instintos estão agora e permanecem, abastados de vontade e determinação, pois quando se perde, se entende o que mais valor possui, o sentimento ou a racionalização.

O Olhar


Só existe um olhar que faz com que a promessa de futuro seja parte real do futuro completamente surreal. Nada mais necessário e preciso, improvável e impossível do que um olhar. Não me deixa sonhar, porque esqueço as certezas e assim, nada importa mais para mim. Preciso apenas esquecer do que existe e sentir. Como poderia simplesmente deixar as águas passarem, as horas ditarem o que sou capaz de viver, saber e quem seria capaz de querer? Não é meu costume questionar vontades, todas essas formas, essas felicidades. Muda meus passos, caminhos nunca pensados, simplesmente um momento isolado e vejo você ao meu lado, sorrindo porque é isso que faço, mudo caminhos de todos os destinos, se são estes os que me afastam. Espero sem saber o que esperar, desejoso com rimas, piadas e beijos que deixam lembranças, mesmo que sejam as mais difíceis escolhas que possam ser feitas. Ao redor da vida, existem espaços e nesses, caminhos, destinos. Temos apenas passos, sorrisos, sem obstáculos ou planos, sem mapas ou linhas, escritos no nada com dedos a procura da união. Olhamos para o mundo como um abismo, mas é o mundo que espera o nosso olhar em retorno, como donos do nosso futuro passado.

Um Lado Tem Outro Lado

Do Meu Lado, Um Demônio...

Nada é certeza, a cama fica pequena diante das dúvidas do real. Sonhos afogam amantes e por estarem distantes, não sabem que não sei voar. O medo percorre e a saudade é corrompida pela incerteza da distância. Prisioneiro da circunstância e encurralado pelo sempre querer e a sua descontinuidade. Olho para o céu tão longe de mim e penso no que não alcanço, no que não sei falar. Religião não me salva, então olho para o nada. Aqui, do meu lado, tenho o temido medo, esperado até o momento em que o que tenho a esperar é você me esquecer e a lembrança que deixa a sua boca.

Do Meu Lado, Um Anjo...

Sentado na ponta da cama, a espera de alguma novidade, aguardando a paródia dessa vida fazer sentido algum no momento em que um novo passo for dado. Cheio de esperança, cada beijo na madrugada, cada sorriso acidental vira uma carinhosa lembrança. Esse amanhã que não chega trazendo a certeza da pele e a beleza da alma. Deleito-me na presença, aproveitando cada pedaço de querer. Aqui, do meu lado, tenho o aguardado sentimento, inesperado até o momento em que o que tenho de esperar é o beijo apaixonado e o sorriso que traz na sua boca.

Feche os Olhos, Confie em Mim


Sinta a respiração tomar conta do corpo, onde cada respirar é parte do que esta ao redor, completando aquele momento. Agora, sinta o isolamento, separado de tudo e ao mesmo tempo, dono daquele instante, daquela constate sensação de passar dos minutos. Não caia no mundo onírico, mas sim entre o existir e o imaginário. Coloca a mão no peito e assim pode contar quantas vezes por dia tem vontade de viver. Cada batida é o querer de mais um dia, do novo amanhecer. A brisa percorre o corpo, como se eletricidade estivesse passando por cada canto do seu ser, tocando suavemente a pele, desejosa ventania. Escute os sons da vida, das brincadeiras e das confusões, das inconveniências e das belezas singulares. Faça parte de onde esta, sem se isolar dos arredores e sim aceitar a existência dos dois lados da moeda. A água que percorre as silhuetas, a luz que retrata a forma, o calor que provoca e o frio que chega. É parte de nós, da sutileza que traz essa imensidão, dos desejos que visitam o coração, da alma que carrega consigo as parte da nossa existência. Lembranças e planos, fazemos muitos, mas o agora é o que importa, onde estamos, com quem estamos e porque estamos, isso é o verdadeiro viver.

Reino


A bandeira erguida busca alçar vôo, mas contida ao mastro que a hasteia, pode ser vista de ponta a ponta do horizonte que a rodeia. Tenho ali meu orgulho e vitória, dentre tantas derrotas, a glória, finalmente retida entre as pedras do meu domínio e a terra na qual repousam. Essa é a hora de ser forte, de buscar o norte do destino e repousar as armas e seu uso. Esta na hora de plantar novas semenstes e colher os frutos do trabalho. Sentir o que deve ser sentido e deixar de lado o que vem do inesperado. O conforto da segurança é o que reina, o carinho que eu sinto é o que governa e a esperança de novos dias é o que me eleva. Em meu reino, tenho ouvidos para entender pedidos e olhos para atentar perigos, boca para confortar medos e braços para proteger do frio. Faço daqui um lar, um motivo para retornar, uma razão para viver. Aos que formam o reino, busco apenas fidelidade, compaixão e carinho, entendimento e devoção. Durante meu reinado, serei somente a voz sincera, devoto a melhorar constantemente a vida daquela que adentra meus portões. Verás que aqui não existem ilusões, falsas promessas ou palavras incertas. Tendes aqui um rei e em você vejo rainha, sentada ao lado observando do alto nosso reino crescer.

Passos Imaginados

Do silêncio, gostaria de um tanto de atenção. Cada passo dado parece distraído na mesma direção. Amorteço meu pisar, para não alertar o destino, que se souber que saí do caminho, me põem de volta aos desencontros e dificuldades. Poderia então imaginar outras escolhas, onde de mim não ficam longe os carinhos, os beijos adocicados pela falta que fizeram aos meus lábios. Desviaria das dificuldades como se fossem pedras soltas pelo caminhar e iria diretamente aonde gostaria de estar, em teus braços. Para tudo temos dois caminhos, depois da escolha vem o destino e não se pode mais voltar. Descartamos o que não foi resposta e traçamos nossa estrada até esquecer o que não aconteceu. Beber do rio Lete e deixar-se esquecer de arrependimentos, palavra peçonhenta que traz tanto a infelicidade quanto a presunção. Arrogância da incerteza de achar ser possível simplesmente desacreditar nos passos dados. Em cada passo, surge outro em seguida, onde se aprende o necessário para não mais voltar. Enxerga-se isso ou se vive de relembranças e medos, onde a entrega não é escolha e o sentimento não evolui. Sem medo, a entrega é feita pela correnteza da certeza, que leva felicidade para o lugar que merece.

O Beijo Para Boa Noite


Descansa esse coração, sentimento sem freio, diversificado e cheio de braços e mãos. É quando me deixa que fico a espera, na minha tela, encontrando respostas em cada suspirar noturno. Esconde novamente o coração, o caminho a ser seguido o destino percorrido. Foge de mim outra vez, aquilo que me fez sorrir duvidando. Essas incertezas que me levavam para longe do meu ser, não diziam nem davam certeza de nada a não ser o invariável movimento de corpos que se afastam e retornam, que se gostam constantemente, mas não constantes. Esses espíritos viajantes, vagando como sombras que seguem o dia, predestinados a caminhar com o sol e seguir a sua luz intransigente. Não temos o que forçar ou como exigir que nossas vontades sejam aquelas atendidas. Vê então destino, o dia como ele vem vindo, chegando como a muito deveria, procurando a verdadeira canção da vida. Esse carinho faz falta, por que sozinho não sei mais sonhar, nem tenho motivos para acordar. Não existe descanso por pensar na falta que um olhar faz, do sorriso que traz no canto da boca que retrae. Um beijo para a boa noite que partiu, e com ela novos sonhos que irão voltar.

O Resto


Entrelaçados,
Pareiam lado a lado,
Ascendentes ao alto,
Esquecendo o resto,

Esquece o verso,
A linha, a letra,
O sentido e o motivo,
Esse vício, esse vazio,

Não consegue,
Pêsames pelo sacrifíco,
De tentar correr atrás,
Quando já passou do tempo,

Assim cai,
Algoz da própria perdição,
Desfazendo a rima,
A sina, a fantasia,
Termina.
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