Couraça

Armas pelo chão, mãos que as seguravam estão abertas e sem forças. A armadura faz um estrondo ao cair, não existe mais proteção, nada entre o que esta por vir e o que existe de mais frágil. 

Lágrima escorre pela alma que um dia foi alegre, lágrima de lava que por dentro fere. Esse triste toque que devora em chamas as fantasias de dias normais. Um já foi mãe e o outro pai de filhos que não nasceram e vidas que não viveram. Sonhos que eram planos e agora apenas devaneios de um tempo onde tempo deixou de existir. Não chega a ser fim pois ainda era começo, mas sentiu a dor, o peso do olhar e a vontade de ficar. 

Um fio de sangue percorre o corpo e se derrama pelo campo, nada mais do que mais uma mancha em um chão de conflito. Incapaz de retornar, nada resta a não ser se levantar.

Toda saudade de um começo que encontra o fim onde o meio deveria estar. Seguem então novas lembranças com uma mancha e um aviso de quem um dia se aproximar. Aqui uma dia foi amor, que virou rancor, solidão e agora faz parte da formação desse novo despertar. Não o mesmo, tudo mudou sem sair do lugar, mas não menos, apenas com mais certeza de onde quer chegar. A mão que se estende procura um toque de carinho, mas esta coberta de cicatrizes tornando mais difícil sentir. Sem saber como reagir, o medo latente faz contrair apesar de querer relaxar e arriscar. Deixamos armas e armaduras pelo chão e seguimos sem proteção, arriscando novas marcas para adornar nossa couraça.

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