Deficiência Sentimental

Fome de amar, sede de sentir, vontade de correr sem um lugar determinado, um destino traçado ou um plano definido. Caminhando fora da linha, sentindo o peso de cada passo, o vento forte vindo na contra-mão dos abraços esperançosos. As mãos tateiam como se cego fosse, procurando as definições do mundo que o cerca, querendo fazer sentindo de tudo aquilo que os olhos não conseguem admirar. Entrega-se a existência da vontade sem entender a motivação e tropeça em cada degrau estendendo as mãos a solidão. Difícil entender a sí mesmo quando não consegue se enxergar, acha necessário imaginar e ter a esperança de que talvez seja aquele o lugar onde deve se apoiar e vê a mão estendida ao seu lado, tentando ajudar. Quer chegar onde sempre achou que deveria estar e sem perceber a razão do querer se perde ao alcançar. O prêmio se torna derrota, o caminho que era uma conquista vira perda de tempo e o troféu que deveria ser vitória, se transforma em arrependimento. As luzes são acesas, a estrada é iluminada e ao contemplar toda a jornada, descobre que não saiu do lugar, então olha para frente, a procura de um novo caminho e antes de tudo recomeçar, apaga as luzes e estende as mãos a procurar.

Contador de Histórias


O toque dos dedos na página virada que atende a pedidos e sonhos onde não existe apenas uma frase, mas uma vida inteira que faz e desfaz com pela simples vontade. Cada momento dependendo de tudo, do beijo traido, da paixão reprimida, do grande amor perdido no último dia de vida. Vivendo cada momento vive o contador de histórias, que com dedos nervosos e palavras esperançosas aguarda a salvação. Envolve-se com a trama e sem razão, tem medo do "sim" e do "não". Deseja alí o repouso da realidade, onde a fuga do normal fosse mais do que necessidade, uma motivação para viver. Sente a dor da despedida, o sorriso do reencontro e quer reler para novamente poder sentir o mesmo pesar, a mesma alegria. A história se faz deliciosamente errática, numa constante descontrução do ser e querer que engrandece as verdades encontradas nas mentiras contadas e nas fábulas imaginadas. Em cada luar é possível encontrar um desses sonhadores, que em busca do destino sente cada momento do que é viver num dia que era uma vez.

Sincronicidade


Suspiros de uma saudade indefinida e mesmo assim sorrir em meio a lágrimas carregadas pela tristeza do lembrar e a certeza do esquecer. Amanhece nas cinzas do passado, em memórias do que aconteceu e que não se deixam escapar. Um beijo qualquer reforça outra vez a lembrança, a vontade da carne que retorna com o pecado e se faz necessário mais uma vez. Distante esta a memória, novamente sonhando sem razão, em meio a solidão,  o querer do momento. Os olhos se encontram, querem ver mais de perto e cada vez que se aproximam, se fecham e se entregam aos lábios, como uma continuação do olhar. Cada sentimento segue uma sincronicidade, sem saber da saudade se lembra que quer o sabor. Por causa de uma palavra , encontra a razão da lágrima e o seu valor. Outro suspiro gasto em meio a solidão, esperando a respiração que um dia ofegou ali ao lado. O mundo grita pela presença do que falta, sem palavras ou respostas, se perdendo no acaso.

Sombras da Noite


A curva distorce a noite com um leve brilho de intensões maliciosas, se faz delinear o desejo como cada momento estivesse a espera da mão cega que procura entender o que não é capaz de ver. O movimento muda e se perde nas ondas do caminhar, circulando a cama que chama e clama na espera do quanto mais for possível e até onde for permitido se entregar. A sombra brinca, se faz de mar em idas e vindas, num  mergulhar se perde no sentir do suor, entre os sons e sabores do querer da boca e suas cores, amantes da lua e suas flores, emaranhado desejado por cada segundo até então passado. O beijo se envolve com a carne, o corpo se dissolve entre os lençois, não mais se respira, nada se pensa. Os dedos demonstram seus desejos, deflorando exitações, libertando as mais libertinas sensações. O mundo se expande e por um instante se desfaz num grito carnal, irracional e sem igual, na entrega total de duas sombras da noite.

O Andarilho


Cantos e passos, caminhos traçados entre-laços, de fatos e sonhos em pedaços, remendos de passados onde se é esquecido antes de se esquecer. Caminha assim o andarilho, o tolo, o herói que ganha ao perder e se entrega antes da batalha começar, pois é na entrega que podemos ver os dois lados da luta sem perder a guerra. Escolha se torna liberdade e ao tornar-se livre, o caminho se abrange mais do que uma estrada e se tranforma numa avalanche e de qualquer forma, sem saber o instante, o que estava distante é entregue nas suas mãos. Começamos do nada, do zero, sem saber ao certo o que é certo e sem certeza de acertar, ganhar sem saber o que se ganha e perder sem notar, o que importa é o caminho para aquele que só pensa em caminhar. Esse sim é o destino, destinado a ser difícil, mesmo que não se saiba onde ir ou para qual lugar. Enfim o tempo se desfaz e a cada pegada mais uma página virada a caminho de onde nem se sabe chegar.

Simplicidades


Nada se fala do que queremos ouvir nem daquilo que nos faz querer. Apenas silêncio na simplicidade da magoa e naquilo que ela nos faz esquecer. Imagens imaginadas, refletidas, coloridas, retidas e desejadas pela fantasia que transforma a realidade em algo pelo qual se quer mais. O beijo, o toque sem jeito no momento perfeito que para o tempo e faz do dia algo eterno demais para durar. Não fomos feitos para sentir eternidade, apenas se sonha e espera pelo que não se conhece, pelo amanhã do dia seguinte, pelo sol que nasce distante e novamente se deixa passar, dando lugar a noite estelar. Só queremos mais tempo para não deixar o tempo simplesmente passar. Tentar entender e aprender o que precisamos para que não seja tarde demais. As folhas mortas no chão, fazendo o caminho dessa solidão, nos mostra a simples razão de querer mais sempre que possível for, de sobreviver além da dor e simplesmente viver.

Nada Mudou, Tudo Esta Diferente


Inspirado na solidão, encontrando a razão no mais simples caminhar, sem olhar para trás, sem pensar demais, sem saber onde ir nem onde ficar. Depois de um tempo o tempo muda, mas nada muda sem querer mudar. Os dias são dias e nada mais, apenas motivos para despertar, as noites estreladas se apagam no vazio do céu e do mar, novamente despertos pelo sol. Nada mais de estrela guia, nem saudade, nem lembrança, nada mais de ser criança e de brincar. Tudo que quer é a motivação de ir e voltar, saber que a partida foi dura, mas a realidade é muito mais difícil de se lidar. Nada mudou, tudo esta no mesmo lugar, mas tudo esta diferente quando se olha profundamente com um novo olhar. Quer sair mais do que o que era e se aventurar, mas quer ser responsável pelo seu tempo e nesse tempo poder viver e sonhar, mas não ao mesmo tempo.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Blogger Templates by Blog Forum

http://meublogtemconteudo.blogspot.com/