Só Pensei em Você


Sumiu como as estrelas desaparecendo em luz de sol. Ainda no mesmo canto, mas não se deixando ver. Pensou em tantos brilhos que esquece da lua e se deixar banhar ao amanhecer, sem esforço de ter de ser. Esse egoísmo se deixa levar, seu brilho, seu rosto, seu olhar. O que tudo isso reflete quando não se vê reflexo de mais nada? Um brilho que brilha e não sabe onde brilhar. Nada se falar, por falta do que dizer, sabe o que faz e devia fazer. Deixa-se negando a fuga de tudo por que lidar com esse mundo é lidar com todos aqueles reflexos. Aqui esta o seu ponto, seu brilho diamante, tão bonito e cortante sumindo no horizonte. Às vezes até a lua, com todo carinho e ternura, brilha com tanta vontade que esquece da estrela e seu tilintar. Então esquece essa procura por tentar fazer o mundo esquecer do seu brilhar. Que se deixe brilhar com a lua, tão lindo brilho que há, do que sumir na manhã tão certa de não te deixar sonhar.

No Fundo de Tudo


O que pode ser entre tudo, quando o que tem de ser não sabe como viver? Essas minhas perguntas parecem uma só. O problema não faz sentido, por que os sentidos estão se perdendo. Nada de novo parece ser algo novo e agora, não parece nada mais. Já faz um tempo que esse momento faz deixar o que um dia o tempo não quis parar. Então essa é a verdade, no fundo de tudo, esse vazio. Então nessa noite qualquer dia é perdido. Felicidade encontrada numa incoerência total, onde nada no mundo parece normal e tudo no fundo é alegria. Esse mundo de fantasia onde o sorriso é sincero e a vida é cheia, o medo um dia desaparece e com certeza, uma nova lua nova surgira.

Penso Nela

Ela atravessa a casa nas pontas dos pés. Cobrindo o máximo que se pode apenas com os braços. Passa como um raio de volumes femininos e corpo banhado: "Não encontrei a toalha", ela sorri. Cabelos molhados, juntos em tiras grossas, entrelançados no rosto que me olha com frio, penar e vergonha, mesmo que a última seja completamente desnecessária. Levo a toalha até seu corpo e a fecho com um abraço carinhoso. Ela fecha os olhos repousando sua cabeça no meu ombro e beijando meu pescoço. Entrelaça seus braços como se não fosse largar nunca e eu a seguro com medo que o mundo me tire do seu abraço. Apesar do caminho curto até a cama, a dificuldade que temos de largar um do outro nos faz atrasar nossas vontades. Nos jogamos na cama e ela se deita sobre mim, olhando intensamente nos meus olhos, querendo saber se é verdade, se sou assim, se a quero tanto quanto ela me quer. Sim, mais do que nunca, quero tudo e desejo mais. Penso nela e assim me vejo. Dela para mim e eu para ela.

Cadu


Nasceu de olhos abertos,

Mudando a vida,

Chorando muito,

Calando o mundo,

Fez mãe olhar e sonhar,

Pai contemplar,

Ver seu futuro,

Seu todo no tudo,

Olhando profundo,

O olhar atento,

Da paz sonhada,

Recém chegada,

Nova vida.


(Para meu amigo Marcelo e seu filho, meu afilhado, Carlos Eduardo, o Cadu...)

Sentidos




O sorriso dela fez o meu sem que eu soubesse. Esse toque gentil em que minha mão se entrega, sem saber porque e nem pergunta. Tempo demais já havia se passado sem sentir meus sentidos centrados em conhecer cada parte de alguém. Vejo então cada pedaço dela sorrindo, cada traço acanhado dessa verdade. No corpo dela, deslizo meus olhos, vendo cada sensação, notando toda inovação na sua criação. Toco sua boca e a sinto contrair, se deixando morder, desejando a minha. Sinto a pele macia e me perco em vontades. Quero algo indescritível, que não faz sentido quando sentindo ela. Cheiro seu pescoço e cada respirar é uma pequena viagem. Deixa-me sentindo em cada pedaço de mim, a vontade de voltar. Gosto de poesia tem o beijo dela em minha boca. Esse gosto de carinho e hortelã. Provo na pele dela inspiração e me apaixono pelo anseio. Escuto então das suas palavras, tudo que possível for, cada um dos seus medos, cada momento de dor. Quando profere seus encantos, atento-me às suas necessidades. Espero então ouvir da voz dela, declamado pacientemente, um aguardado recado, um desejo guardado, um querer de todos os meus sentidos.

Deixar de Você

Deixo o desejo,
Todo tempo que deixo,
Para te deixar passar,
Me deixar sentir,
Se deixar morrer,

Te deixo então,
Em lembrança te deixo,
Sem pensar em deixar,
Sem deixar de amar,
Deixo num beijo meu penar,

Mas te deixo,
Assim como me deixou,
Deixado num canto, guardado,
Não te deixo esquecida,
Mas distante deixo.

Sirens

Marinheiro meu amigo,

Escute o que te digo,

Deixo que te leve o vento,

Entrega as rédeas náuticas,

Fecha os olhos para as estrelas,

E escuta assim chamar,

A mais pura melodia,

Num canto perdido ao vento,

Distante do destino,

Mas se entregue,

Este então é o caminho,

Na direção errada,

A caminho dos recifes,

Rumo à própria destruição,

Insista no erro do perdão,

Se vivo permanecer,

Aguarde na praia então,

Novo canto te encantar,

Nova maré chegar,

Se uma vez foi recife,

Noutro talvez não seja,

Talvez um dia

Talvez sereia.

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